O debate sobre transição energética ganhou centralidade nas Conferências do Clima, especialmente na COP29 e na COP30. Ainda assim, as discussões e a vivência da COP30 em Belém mostraram um desafio persistente: energia, adaptação climática e cidades continuam sendo tratadas de forma fragmentada nas políticas públicas.
Este blog analisa as reflexões apresentadas por Thiago Metzker, diretor do Grupo MYR e membro do Grupo de Trabalho de Transição Energética, durante a reunião da Câmara Temática de Transição Energética do Fórum Brasileiro de Mudança do Clima. A partir das discussões internacionais e da realidade observada nas cidades brasileiras, a análise aborda a necessidade de integrar transição energética, planejamento urbano, adaptação climática, financiamento e justiça social.
Acompanhe!
Transição energética nas cidades é inseparável da adaptação climática
Durante sua fala, Thiago Metzker trouxe um alerta direto a partir do que foi observado na COP30. Enquanto o mundo discutia metas e compromissos, eventos extremos já impactavam territórios brasileiros.
“Uma das questões que foi muito discutida na COP29 e, na COP30, foi arrebatadora, é a questão da adaptação nas cidades.”
O exemplo citado evidencia a fragilidade urbana diante de falhas sistêmicas. Em plena COP, eventos extremos revelaram a ausência de infraestrutura de respaldo para energia, telecomunicações e serviços essenciais.
A partir dessa vivência, Thiago reforçou que a transição energética não pode se limitar à geração ou à adoção de novas tecnologias.
“Talvez a gente precise colocar a transição energética mais dentro do dia a dia das cidades, das regiões metropolitanas e dos territórios, vinculada muito a um processo de adaptação climática.”
Planejamento urbano, resiliência e energia precisam avançar juntos. Separar essas agendas compromete a capacidade das cidades de responder aos riscos climáticos já em curso.
Financiamento climático como condição para escala e efetividade
Outro eixo central da fala foi o financiamento climático. No âmbito da governança global e da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, o tema domina as negociações.
“Dentro da governança climática e da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, o tópico de financiamento é tudo.”
As expectativas globais giram em torno de volumes expressivos. No entanto, Thiago chamou atenção para a distância entre recursos anunciados e a capacidade real de implementação.
“Para um processo de transição energética que seja realmente de escala e significativo, vamos precisar de financiamento.”
Esse financiamento, porém, exige estrutura técnica, projetos bem formulados e critérios claros de elegibilidade.
“Financiamento também precisa ter bons projetos. Isso, né? Então não adianta um trilhão se não tem um trilhão de projetos para colocar.”
Sem planejamento, capacidade local e projetos bancáveis, os recursos não se transformam em impacto concreto.
Transição energética justa: territórios, salvaguardas e pessoas no centro
A discussão avançou para um ponto essencial: a transição energética justa. Tema recorrente na COP30, mas ainda frequentemente reduzido a abordagens simplificadas.
Na condução da reunião, Stefania complementou a fala de Thiago ao destacar um problema estrutural no debate atual.
“Existe um fetiche pela quantidade, mas ninguém presta atenção na qualidade do financiamento.”
A reflexão amplia o olhar sobre riscos, contrapartidas e salvaguardas necessárias, especialmente em territórios vulneráveis.
“A transição energética não pode ser simplesmente um grande financiamento para uma grande mudança.”
A fala reforça a necessidade de considerar cadeias produtivas locais, requalificação profissional, mecanismos de participação social e retorno efetivo para as comunidades mais impactadas.
Minerais críticos, exploração de recursos naturais e grandes investimentos exigem governança, proteção territorial e distribuição justa de benefícios.
Implementação, mercado e planejamento: o próximo desafio
As contribuições convergem para um ponto claro. Financiamento exige projetos bem estruturados. Tecnologia precisa caminhar junto com planejamento urbano. Escala só faz sentido quando acompanhada de justiça social.
A transição energética nas cidades depende de:
- Integração entre adaptação climática e energia;
- Planejamento urbano conectado à realidade territorial;
- Bancabilidade de projetos e redução de riscos percebidos;
- Capacidade técnica local para implementação.
Criar mercado, estruturar demanda e alinhar políticas públicas são partes indissociáveis desse processo.
Energia, clima e cidades precisam caminhar juntas
A transição energética urbana é um processo complexo. Exige articulação entre políticas públicas, financiamento, planejamento territorial e justiça climática.
As reflexões apresentadas por Thiago Metzker na reunião da Câmara Temática de Transição Energética do Fórum Brasileiro de Mudança do Clima reforçam que a adaptação climática e a transição energética não podem seguir caminhos paralelos.
Elas precisam avançar juntas, ancoradas na realidade das cidades, na proteção das populações mais vulneráveis e na construção de soluções com escala, qualidade e impacto real.
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