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A COP30 chegou ao fim em Belém (PA) após duas semanas de mobilizações, negociações e articulações entre governos, especialistas e representantes de diferentes territórios. O documento final da COP30 foi divulgado no sábado (22) e trouxe marcos políticos relevantes e compromissos simbólicos, como a meta de triplicar o financiamento para adaptação até 2035. No entanto, questões estruturais, como o abandono dos combustíveis fósseis, ainda ficaram de fora da versão final. Isso exigirá novas negociações na próxima cúpula, prevista para 2026, na Turquia.

O Grupo MYR esteve presente ao longo de toda a jornada da COP30, com uma participação técnica, estratégica e ativa, mobilizando soluções nos territórios e contribuindo diretamente para o fortalecimento da agenda de adaptação climática.

Neste blog, você vai ver:

 

  • A travessia da Expedição Motorhome COP30, que cruzou 10 cidades e quatro biomas do país; 
  • Os principais momentos do Pavilhão Cidades Resilientes, espaço oficial na Blue Zone da COP30; 
  • O lançamento da Rede Brasileira de Cidades Resilientes, iniciativa inédita voltada ao suporte técnico e ao financiamento para adaptação local; 
  • Um resumo dos principais resultados da COP30, destacando tanto os avanços celebrados quanto os desafios que permanecem em aberto.

Acompanhe!

Expedição Motorhome COP30: do Cerrado à Amazônia, escutando os territórios e documentando soluções

No dia 1º de novembro, teve início uma jornada extraordinária que cruzou o país conectando territórios, soluções e pessoas: a Expedição Motorhome COP30 — Do Cerrado à Amazônia: a estrada das Mudanças Climáticas.

Sob a coordenação de Sérgio Myssior e Thiago Metzker, diretores do Grupo MYR, a expedição uniu conhecimento técnico, gestão pública e engajamento local em uma mobilização inédita.

Realizada pelo Instituto Bem Ambiental (IBAM) — organização credenciada pela UNFCCC — a iniciativa percorreu mais de 3 mil quilômetros, atravessando os biomas Mata Atlântica, Cerrado, Caatinga e Amazônia e registrando soluções locais de adaptação climática.

 

Dez cidades, quatro biomas e soluções concretas de adaptação

A bordo de um motorhome multimídia, a jornada passou por dez cidades brasileiras, promovendo encontros com comunidades, lideranças e gestores públicos. Foram produzidos mais de 60 conteúdos audiovisuais e educativos, além de oficinas, entrevistas e rodas de conversa sobre soluções baseadas na natureza, justiça climática e infraestrutura verde.

A expedição chegou a Belém na véspera da abertura da COP30, integrando-se ao Pavilhão Cidades Resilientes, uma iniciativa do IBAM, na Blue Zone da conferência, com a participação de parceiros como CAU/BR, CFQ, Grupo MYR e outras instituições nacionais e internacionais. 

Clique aqui e saiba mais detalhes sobre o projeto dessa jornada. Leia também: Expedição Motorhome COP30 – Do Cerrado à Amazônia: a estrada das Mudanças Climáticas 

Pavilhão Cidades Resilientes: um espaço dedicado à adaptação urbana

No dia 10 de novembro, foi inaugurado o Pavilhão Cidades Resilientes, espaço oficial da Blue Zone da COP30, com foco na agenda urbana de adaptação às mudanças do clima.

Coordenado pelo Instituto Bem Ambiental (IBAM), o espaço é o primeiro pavilhão brasileiro com curadoria técnica voltada à adaptação climática urbana, soluções baseadas na natureza (SbN) e planejamento territorial resiliente

A iniciativa contou com apoio técnico de conselhos profissionais, entidades públicas, universidades, organizações da sociedade civil e organismos internacionais.

A programação do pavilhão incluiu diversas atividades, entre painéis, exposições, rodas de diálogo e apresentações de projetos. No dia 15 de novembro, conectamos as vozes das comunidades a esta grande agenda global. Foram realizados mais de 50 painéis ao longo dos dias.

Quatro eixos estruturaram os debates do Pavilhão Cidades Resilientes

 

Os debates foram organizados em quatro grandes eixos temáticos:

  1. Adaptação e Infraestrutura Verde Urbana;
  2. Transição Justa e Energias Renováveis;
  3. Ciência e Financiamento Climático;
  4. Educação, Comunicação e Engajamento Climático.

O espaço reuniu vozes de diferentes regiões do Brasil e do mundo, promovendo trocas entre ciência, política, técnica e territórios. O objetivo era claro: delinear os caminhos para cidades melhores, mais inclusivas, sustentáveis e resilientes.

Clique aqui e veja a agenda completa do Pavilhão Cidades Resilientes.

 

Lançamento da Rede Brasileira de Cidades Resilientes

No último dia da COP30, 21 de novembro, foi lançada a Rede Brasileira de Cidades Resilientes — uma iniciativa do Instituto Bem Ambiental (IBAM), anunciada por Sérgio Myssior e Thiago Metzker, diretores do Grupo MYR.

Essa é uma iniciativa inédita no país, voltada à articulação, cooperação, suporte técnico e acesso ao financiamento para adaptação climática nos territórios e localidades brasileiras.

A Rede surge como resposta à urgência de fortalecer capacidades locais e viabilizar projetos estruturantes. Também busca ampliar o alcance de soluções baseadas em evidências, promovendo um modelo de governança mais inclusivo e colaborativo.

Portanto, é um ecossistema colaborativo criado para apoiar a transição dos territórios brasileiros rumo a um futuro mais resiliente, inclusivo e sustentável.

 

“A Rede surgiu após uma trajetória iniciada na COP26, em Glasgow, na Escócia, passando por diversas agendas globais até se consolidar aqui na COP30, após uma jornada de 10 dias em um motorhome pelo Brasil. Visitamos localidades, ouvimos comunidades e reunimos mais de 50 especialistas, transformando desafios locais em oportunidades de adaptação, inovação e futuro”.

(Thiago Metzker, Diretor do Grupo MYR)

 

Atuação da Rede Brasileira de Cidades Resilientes

 

A atuação da Rede Brasileira de Cidades Resilientes se estrutura em três eixos:

  1. Capacitação contínua de comunidades e gestores, fortalecendo habilidades e conhecimento técnico.
  2. Assistência técnica e modelagem de projetos, incorporando infraestrutura verde, soluções baseadas na natureza e diretrizes internacionais de salvaguardas socioambientais, garantindo aderência ao financiamento climático. 
  3. Promoção do acesso a editais, recursos e financiamentos, conectando projetos locais a oportunidades nacionais e internacionais.

Com parceiros estratégicos e colaboração multissetorial, a Rede Brasileira de Cidades Resilientes busca preencher a lacuna entre agendas globais e realidades territoriais, conectando necessidades locais a recursos, saberes e experiências de impacto.

Com 50 territórios já integrados na primeira fase, a meta é chegar a 300 territórios ativos até 2030. A iniciativa contribui para a melhoria da qualidade de vida e a inclusão dos grupos mais vulneráveis, garantindo inclusão, equidade e justiça climática.

Clique aqui e saiba mais sobre essa iniciativa!

 

Negociações climáticas: impasse sobre combustíveis fósseis

Na madrugada de sexta-feira (21), a presidência da COP30 divulgou o primeiro rascunho do documento final da conferência, batizado de “Decisão Mutirão”. Países vulneráveis e organizações da sociedade civil criticaram a proposta por não apresentar um roteiro claro para a redução da dependência de combustíveis fósseis.

Mesmo com a defesa ativa do Brasil por um “mutirão global” em favor da transição energética justa, o chamado “mapa do caminho” para o abandono do petróleo, carvão e gás não foi incluído, após forte resistência de blocos liderados por países produtores de petróleo, como Arábia Saudita e China.

Mais de 30 países chegaram a pressionar oficialmente o Brasil para que o tema constasse no texto. Diante do impasse, a definição ficou para futuras rodadas diplomáticas. Ainda assim, a presidência da COP sinalizou que seguirá trabalhando nesse documento ao longo de 2025.

A presidência da COP no Brasil publicou, ao final da conferência, o documento final da COP30 com marcos relevantes e compromissos importantes, mas também deixou lacunas significativas que os países deverão retomar na COP31, prevista para 2026 na Turquia. 

 

Documento final da COP30 apresenta avanços, mas deixa lacunas importantes

A seguir, apresentamos um resumo dos principais resultados da COP30, destacando tanto os avanços celebrados quanto os desafios que permanecem em aberto para as próximas negociações internacionais.

 

Balanço Positivo: principais conquistas no documento final da COP30

  • Compromisso de triplicar o financiamento para adaptação até 2035: ainda sem valores definidos, o reconhecimento da urgência da adaptação foi um sinal político importante. 
  • Meta Global de Adaptação finalmente adotada: pela primeira vez, os países terão um conjunto comum de indicadores para monitorar como estão se preparando para eventos extremos e desastres climáticos. 
  • Criação do Mecanismo de Ação de Belém (BAM): novo instrumento permanente para apoiar países em desenvolvimento em sua transição justa para economias de baixo carbono. O mecanismo busca garantir que comunidades vulneráveis não fiquem para trás nesse processo.
  • Reconhecimento dos direitos indígenas: documento final inclui, de forma inédita, menções explícitas ao papel estratégico dos povos indígenas na adaptação climática e proteção das florestas. 
  • Plano de Ação de Gênero de Belém aprovado: reforça a inclusão de mulheres e meninas nas decisões sobre o clima, mesmo diante de objeções em plenária. 
  • Fundo Florestal Tropical (TFFF) fortalecido: novos aportes, incluindo 1 bilhão de euros da Alemanha, elevaram o total comprometido para mais de US$ 6 bilhões. 
  • Comércio internacional no debate climático: pela primeira vez, a COP abriu oficialmente espaço para discutir como as regras comerciais podem favorecer tecnologias limpas. 
  • Brasil manterá agenda de transição e desmatamento ativa até 2026: mesmo sem incluir os “mapas do caminho” no texto final, a presidência brasileira se comprometeu a seguir trabalhando nesses documentos ao longo de 2025 e apresentá-los na COP31. É uma forma de manter a pauta viva diante da resistência de grandes produtores de petróleo.

 

Principais lacunas e críticas ao documento final da COP30

  • Combustíveis fósseis fora do texto final: o chamado “mapa do caminho” para a transição energética, defendido por Brasil e Colômbia, não foi incluído, devido à resistência de países produtores de petróleo. 
  • Meta de Adaptação fragilizada: apesar de adotada, a versão final trouxe menos indicadores do que o esperado (cerca de 60, frente aos mais de 100 propostos inicialmente), e com baixa clareza sobre financiamento. 
  • Financiamento climático indefinido: o compromisso de triplicar os recursos foi estabelecido, mas sem definição de fontes, valores e responsabilidades. Isso limita o planejamento de países em desenvolvimento. 
  • Mitigação sem avanço concreto: a ausência de menções aos fósseis e a repetição do mesmo nível de ambição da conferência anterior foram criticadas por cientistas e ativistas. 
  • Distância entre promessas e metas do Acordo de Paris: o documento não apresenta novos compromissos que aproximem o mundo da meta de limitar o aquecimento a 1,5ºC.  

 

Boletins da COP30 com Sérgio Myssior e Thiago Metzker: os bastidores, os avanços e as análises da Conferência

Durante todos os dias da COP30, os diretores do Grupo MYR, Sérgio Myssior e Thiago Metzker, conduziram o Boletim Diário #COP30 diretamente do Pavilhão Cidades Resilientes, na Blue Zone da conferência.

Com um olhar técnico, crítico e acessível, os episódios apresentaram os principais destaques, bastidores e análises sobre os temas centrais da COP, como adaptação climática urbana, infraestrutura verde, planejamento resiliente e financiamento climático.

No vídeo abaixo, os diretores do Grupo MYR, Sérgio Myssior e Thiago Metzker, apresentaram o primeiro balanço técnico da conferência, analisando os avanços, desafios e bastidores que marcaram a COP30. Assista!

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